Gurutubanos, caatingueiros e geraizeiros: identidades rurais e territorialização

Aderval Costa Filho

Resumo


O povo Gurutubano é quilombola e ocupa hoje pequenas frações de terra dos seus ancestrais, entre fazendas de pecuária extensiva, na confluência de sete municípios do norte de Minas Gerais. O contexto microrregional conjuga pelo menos três categorias identitárias - os Gurutubanos, os Caatingueiros e os Geraizeiros - definidas a partir de unidades socioambientais (o vale do Gorutuba, a Caatinga, o Gerais e seus habitantes tradicionais). Os Geraizeiros são reconhecidos como agricultores dos planaltos, encostas e vales dominados pelo Cerrado que, comparativamente, apresentam baixa fertilidade natural e baixa produtividade. Os Caatingueiros, ao contrário, ocupam uma região marcada pela maior fertilidade dos solos e facilidade de produção, transporte, proximidade dos centros urbanos e acesso a políticas públicas. Os Gurutubanos representam uma modalidade peculiar de Caatingueiro, de predominância negra e ascendência ligada à recusa da escravidão. Se Caatingueiros e Geraizeiros se afirmam “etnicamente” por contraposição, os Gurutubanos se constituíam como o membro olvidado da tríade, provavelmente porque representavam uma mácula na imagem de prosperidade interiorizada e reproduzida pelos Caatingueiros, aproximando-se, de certa forma, das representações sobre os Geraizeiros. Não obstante, os Gurutubanos hoje reivindicam a regularização do seu território, bem como os demais direitos que lhes foram historicamente negados, ganhando predominância política no contexto regional.


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